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O doce e "amargo" sabor do retorno | Foto: Max Pixel, CCO license
O doce e “amargo” sabor do retorno | Foto: Max Pixel, CCO license
Fala-se muito pouco sobre as dificuldades do retorno ao país de origem após uma temporada estudando no exterior. Porque será?

Apesar do frio na barriga e das expectativas e inseguranças decorrentes da partida para uma jornada internacional, no segundo em que a porta do avião se fecha, respiramos fundo e recebemos a mudança com um sorriso no rosto.

Na chegada, como tudo é novo, a palavra de ordem é construir. Uma nova vida, oportunidades, relacionamentos, e um conhecimento mais aprimorado de quem somos, de onde viemos e o que queremos. Passamos os primeiros momentos fora de nosso país conectados com as pessoas de quem gostamos e com as notícias. Após um certo tempo, embora ainda ligados, seguimos nossos caminhos. Da mesma forma, aqueles que deixamos continuam com suas vidas e projetos, como deve ser.

Nossas memórias, no entanto, são congeladas no dia em que partimos. E a grande ilusão que carregamos é a de voltar para um lugar conhecido, onde tudo permanece igual. Fato é que as coisas não acontecem dessa forma. Assim como nós, os que ficaram também mudaram. A multiplicidade de experiências vividas, confere a todos muito a dizer e nem sempre vontade de ouvir.

Não importa para onde você vá ou retorne, sua história e experiências serão suas mais fiéis companheiras. Uma bagagem que você supostamente domina e que, bem ou mal, traz segurança. Ao mesmo tempo, essas velhas ou novas raízes podem se transformar em uma lente que ajusta, amplia ou distorce a realidade.

É assim que o que já foi conhecido pode se tornar uma novidade. Afinal, o tempo não parou para ninguém, nem para o país. Isso se não houve uma crise que tenha mudado radicalmente o status quo. Impactante, sem sombra de dúvida, mas verdadeiro. Novamente, é você quem está chegando e que deve se ajustar. Apesar das saudades e de um pseudoconhecimento do território, vai se sentir um estrangeiro em um ambiente que já foi familiar. Sua narrativa não será a mais valiosa e, dependendo do tempo que passou fora, novamente terá muito que aprender.

Muito provavelmente, você vai se sentir desajustado, com saudades do lugar que deixou, e vai criticar detalhes do cotidiano de sua terra natal, especialmente se achar que algo não evoluiu ou não funciona bem. O estranhamento, também chamado de Síndrome do Retorno, é um choque cultural às avessas, um pouco mais doloroso que o da partida, porque é difícil entender que terá que reconstruir sua vida e voltar a fazer parte do que está no radar das pessoas.

Exercite a empatia. Faça as pazes com a paciência e a tolerância, consigo mesmo e com os outros. Não compare, celebre a diferença. Deixe o tempo se encarregar de ajustar as coisas, da mesma forma que fez quando partiu. Tenha curiosidade de saber como foi a vida das pessoas enquanto esteve fora do país. O que ganharam, o que perderam, o que construíram de novo em suas vidas. Conte sua história devagar, sem achar que é mais valiosa ou importante que a de qualquer pessoa. Lembre-se que ela é uma bagagem de vida, incorporada a você e que não precisa mostrar todos os seus feitos de uma só vez.

Afinal, nosso contato com o desconhecido é recorrente e nesse movimento de idas e vindas, você certamente aprenderá isso muito bem.

> Leia mais: Autoconhecimento é fundamental para estudar no exterior

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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