Foto: arquivo Andrea Tissenbaum | Meu primeiro passaporte
Foto: Andrea Tissenbaum | Meu primeiro passaporte
Muita gente me pergunta sobre a minha experiência internacional. Então aqui vai um pouco da minha história e do porque decidi criar este Blog.

Viajei muito. Desde que me entendo por gente entrar e sair de um avião é sinônimo de feijão com arroz.

Cresci falando dois idiomas em casa, onde começávamos as frases em português e terminávamos em espanhol, ou melhor, en porteño… Cresci em duas cidades. Durante o ano eu era do Rio de Janeiro, a privilegiada cidade maravilhosa. Nos meses de férias escolares eu era de mi Buenos Aires querido.

Como viajar faz parte da minha rotina desde criança, tive a oportunidade de visitar muitos lugares. No Brasil e fora daqui. E sempre aproveitei para aprender tudo o que pude em cada pedaço de terra em que pisei.

Aprendi inglês como nativa, me atrevi a aprender francês. Não tenho vergonha de arriscar. Comunicar-me bem sempre foi uma necessidade pessoal.

Aos 16 anos de idade fiz meu primeiro intercâmbio em um kibbutz em Israel por dois meses. Aos 20, vivi com uma familia americana em Long Island, New York, por um mês – experiência que se repetiu no ano seguinte com uma outra família pelo mesmo período. Aos 23, tinha planos de estudar na Europa. Mas fui parar nos Estados Unidos e fiquei fora um bom tempo.

Morei em um típico ‘college town’ do meio-oeste americano por um ano, em uma cidadezinha próxima a Chicago onde fica a University of Illinois at Urbana-Champaign. Estudei filosofia, trabalhei como assistente de um professor cubano no departamento de sociologia. Na sequência, me mudei para a California, onde vivi por mais cinco anos para fazer minha pós-graduação em psicologia. Confesso que o sol e o céu sempre azul de San Diego fizeram toda a diferença em minha vida.

Estudei muito, trabalhei como psicóloga clínica, terminei o que fui fazer lá e voltei para o Brasil. Nunca mais fui a mesma pessoa.

Viver fora do país da gente muda tudo. Muda o jeito de pensar, o jeito de lidar com a vida, de tratar as pessoas, de se relacionar. É uma experiência extraordinária.

É você quem chega e tem que aprender a conviver com outra cultura. “Resetar” o modo em que está acostumado a fazer as coisas. Você fica mais aberto, mais flexível. Adapta-se com mais facilidade, fica mais descolado.

Senti saudades, é claro, sofri com as diferenças e as novas informações. Senti falta dos cheiros, da comida, da paisagem. Aprendi a compensar isso cozinhando, ouvindo música brasileira, escrevendo cartas. Pois é, vivia em um mundo ainda sem internet. Entendi melhor minhas origens e quem eu sou.

Com o tempo, pude apreciar as diferenças. Conheci gente de todas as partes, fiz amizades que mantenho até hoje. Como alguém me disse há anos, o mundo é muito grande para a gente passar o resto da vida na cidade onde nasceu.

Todo mundo tem dúvidas e receios quando pensa em estudar fora. Será que vale a pena mesmo? Será que vai ser legal para a minha vida e carreira?

Ter acesso à informação é importante para planejar bem essa aventura. Na época em que saí do Brasil não tive essa oportunidade e aprendi aos trancos e barrancos o que é viver fora do meu país.

E é exatamente por isso que eu resolvi criar este Blog. Com a experiência acumulada em viagens, estudando fora e, especialmente, trabalhando há anos com educação internacional, decidi que devia compartilhar esse conhecimento.

O Blog da Tissen existe desde setembro de 2014 e acaba de ganhar um novo visual. Sejam muito bem-vindos!

Woody e eu em Berlim | Foto: Vladimir Sacchetta
Woody e eu em Berlim | Foto: Vladimir Sacchetta

 

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