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Estudar nas universidades top | Foto: Pixabay, CCO license
Estudar nas universidades top | Foto: Pixabay, CCO license
Entender quem você é como pessoa e estudante e qual o perfil das universidades em que deseja estudar é fundamental para fazer boas escolhas. Confira! 

A frequência com que recebo jovens que querem estudar em uma universidade ranqueada entre as melhores do mundo é bastante alta. O prestígio, a marca, a qualidade e o network resultante de fazer parte desse grupo são sonhos de consumo. Explicar que talvez essas não sejam as únicas opções não é uma tarefa fácil, porque de alguma forma percebo que meus argumentos cortam suas fantasias. No entanto, conhecer as razões do porque optar por outras instituições merece atenção.

O texto da jornalista Nathalia Bustamante, publicado no site Estudar Fora, explica de forma primorosa esses argumentos. Confira!

Diferente do que o senso comum pode indicar, estudar em Harvard – ou em universidades de elite em geral, líderes nos rankings internacionais – não é um indicativo de sucesso. E nem de realização. Isso porque, enquanto há estudantes que de fato vão tirar o máximo de proveito de um ambiente como de uma universidade de ponta, é possível se desenvolver de outras maneiras em escolas menos prestigiadas.

Um estudo conhecido de Krueger e Dale, aponta que estudantes que se candidataram às universidades Ivy League e acabaram optando por outra escola de menos renome tiveram o mesmo nível de rendimento futuro que os colegas que frequentaram as de mais prestígio. A conclusão do estudo é que estudantes que se candidatam a essas universidades em geral possuem certas características – como determinação e disciplina – que serão benéficas para o seu futuro, independentemente de qual escola emitiu seu diploma. Em outras palavras, os pesquisadores concluíram que “o estudante, não a escola, era responsável pelo seu sucesso”.

É claro que o prestígio dessas instituições não existe à toa. Para algumas áreas, como mercado financeiro ou economia, o networking de uma Ivy League pode ser relevante; para outras, o contato com determinado grupo de pesquisa pode ser essencial para quem deseja seguir carreira acadêmica. Mas dependendo do seu objetivo, outras escolas tão boas quanto Harvard – embora menos famosas – poderão oferecer uma experiência melhor para o estudante.

É o caso do matemático Artur Ávila, brasileiro ganhador da Medalha Fields, que em um evento da Fundação Estudar, afirmou que sua sorte foi não ter ido para Harvard ou Princeton. Ele optou por estudar no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, no Rio de Janeiro, e acredita que teve, assim, mais tempo para desenvolver confiança e adquirir conhecimento. “No IMPA eu sentia medo, claro, mas não estava em um ambiente que podia me esmagar. Tinha pouco conhecimento, mas fazia uma coisa de cada vez”.

Ter estudado em uma instituição de menor renome internacional, não apenas não prejudicou a carreira do matemático como também colaborou para o seu amadurecimento. Assim, quando em seu pós-doutorado, optou por estudar na França, já estava mais adaptado para enfrentar “aquele mundo”: “Cheguei mais confiante, trabalhando nas linhas que já havia começado, sem desespero e com consciência de que eu sabia, de fato, muito pouco” afirmou.

Em geral, candidatos tendem a considerar apenas se eles são inteligentes o suficiente para serem aprovados em uma universidade de elite. Raramente consideram se essas instituições são as melhores para eles em outros aspectos de suas vidas.

Autoconhecimento é chave para fazer bem esse tipo de avaliação. O estudante não pode deixar de considerar qual é o seu estilo pessoal e de estudos; como lida com situações de pressão e quais são suas expectativas para os quatro anos de faculdade. De acordo com avaliações enviadas pelos próprios estudantes no portal Unigo, o candidato deve sempre considerar os seguintes fatores:

  • Carga de Trabalho

Universidades de elite exigem muito trabalho. Além de um volume pesado de leitura, mesmo os estudantes mais preguiçosos não conseguem se livrar de escrever ao menos um essay por semana. No entanto, a carga de trabalho com certeza é bem maior que isso.

  • Estilo de Ensino e Avaliação

Algumas universidades favorecem o debate oral. Esse é o caso, por exemplo, da maior parte das instituições que compõem o grupo Ivy League e oferecem aulas em formato de seminário e discussão de cases. Nestes contextos, estudantes brilhantes, com melhor desempenho escrito podem ser ofuscados pelos que têm mais facilidade de se expressar verbalmente.

  • Estilo de Envolvimento Acadêmico

Muitas universidades de elite assumem que boa parte do aprendizado se dá através de atividades extracurriculares: esportes, clubes, trabalho voluntário ou projetos particulares. É claro que você também encontrará espaço se a sua melhor opção de lazer (ou de estudo) for uma biblioteca silenciosa – mas definitivamente não estará explorando ao máximo o que estas instituições oferecem.

  • Estilo dos estudantes 

As universidades de elite são, sem dúvida, um espaço de diversidade e de encontro com estudantes engajados nas mais diversas causas – jovens confiantes, carismáticos, divertidos e sagazes, críticos e questionadores. Porém, em geral, não são o lugar para estudantes “descolados” que buscam carreiras menos tradicionais e “engessadas”. De fato, muitos dos estudantes que procuram estas universidades fazem isso justamente porque procuram o caminho mais tradicional.

  • A pressão

Pessoas que não conseguem lidar com a pressão de estarem constantemente cercadas de conquistas e sucessos passarão tempos difíceis em escolas de elite. Essas instituições não são o lugar para você se pensa que tem que ser o melhor em tudo – porque invariavelmente não será. Gustavo Torres, aluno de Stanford, afirma que um dos seus maiores aprendizados por lá foi perceber que “não dá para ser o melhor em tudo”.

  • A liberdade

Instituições como estas geralmente assumem que os alunos são automotivados e que correrão atrás dos seus objetivos de forma independente. Ninguém – professores, advisors, ou seus colegas – vai dizer a você o que fazer. Da mesma forma, se você parar de comparecer às aulas ou não entregar trabalhos, não será cobrado por isso, até que seja tarde demais.

Estes questionamentos são polêmicos e muitas vezes exigem que o candidato quebre preconceitos e reveja sua própria autoimagem. Mais do que questionar a nossa capacidade de ser aceito por uma destas instituições, você deve se perguntar: será que tenho a disposição, humildade, resiliência e energia para ter um bom desempenho em uma universidade de elite? Será que eu serei feliz lá?

Por isso é tão importante se planejar com calma e antecedência, conhecendo e escolhendo bem diversas escolas, ao invés de simplesmente seguir o nome famoso de uma instituição de ensino. Afinal, você não quer passar os anos que deveriam ser os melhores da sua vida se perguntando se não havia outro lugar melhor para você, não é?

> Leia mais: Três MBAs em Fuqua, Duke University

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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