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Bega Tesch durante seu intercâmbio na USP, em 2014
Bega Tesch durante seu intercâmbio na USP, em 2014
Bega Tesch, que já fez quatro intercâmbios no Brasil, conta sobre suas experiências em diferentes partes do país e o valor da experiência internacional.

Os relatos da experiência de um intercâmbio internacional, não importando a origem do estudante, são sempre muito parecidos. Os desafios de chegar em um lugar desconhecido, decifrar os códigos locais, adaptar-se, aprender o idioma e fazer amigos provocam imenso crescimento pessoal. As reflexões geradas pelas diferenças culturais facilitam um mergulho interior e uma bela viagem de autoconhecimento.

Dificilmente valorizamos o que temos aqui no Brasil até saírmos do país por um tempo mais prolongado. Por isso a experiência de Bega Tesch, estudante alemã da Freie Universität Berlin, também conhecida como FU Berlin ou Universidade Livre de Berlim, é tão importante. Bega conhece diversos Brasis e, apesar de vir de uma cultura tão diferente da nossa, incorporou várias características de nosso país ao seu cotidiano.

A relação desta jovem de 26 anos com o Brasil começou há 10 anos atrás, quando fez um intercâmbio de ensino médio em Palmas, Tocantins. Na época, estudou em uma escola pública local e viveu com uma família, com a qual se relaciona até hoje. Gostou tanto da experiência que retornou outras quatro vezes. Estudou no departamento de letras da USP por um ano, estagiou no Instituto Goethe em Salvador e no escritório da FU Berlin em São Paulo, e viajou pelo país.

Bega no Tocantins visitando uma tribo indígena
Bega no Tocantins visitando uma tribo indígena

Bega hoje faz um mestrado em Estudos Latino Americanos. Adora o Brasil, “principalmente por causa das pessoas”, enfatiza. “É uma cultura muito diferente da alemã e as pessoas são receptivas, abertas e alegres. Isso me fascina. Aqui é fácil fazer amizades e conhecer gente. Na Alemanha isso é bem mais difícil. Também gosto da música, da cultura e da comida. Os brasileiros estão sempre dispostos a ajudar e parece que as pessoas aqui se preocupam com o outro. A sociedade alemã é mais individualista. No Brasil, tudo é mais coletivo e eu gosto disso”, explica a jovem.

Em sua primeira experiência no país, Bega viveu um intenso choque cultural. Não falava português e teve um começo mais difícil. “Poucas pessoas falam inglês em Palmas, não é como São Paulo. Além disso, o calor intenso era uma novidade para mim. Mas no fim deu tudo certo. Na minha escola, todos queriam conhecer a estudante intercambista alemã, era a primeira vez que recebiam uma estrangeira. Na época, viajei um pouco e pude conhecer povos indígenas, foi muito bacana. Aprendi português em Palmas, na marra mesmo, e bem rápido, porque precisava me comunicar. Fazer esse intercâmbio cedo foi uma decisão acertada. A vivência em uma cultura diferente me fez questionar minha vida na Alemanha, um processo muito rico de reflexão”, conta Bega.

“O Brasil não estava nos meus planos de intercâmbio, mas fui aceita para vir para cá. Hoje acho que o destino foi muito generoso comigo. Desde esse intercâmbio minha vida tomou um rumo bem diferente. Na graduação, fiz um curso de tradução alemão-português-francês na universidade de Heidelberg, a mais antiga da Alemanha e vim estudar na USP, em São Paulo.

Bega durante seu estágio no Instituto Goethe em Salvador
Bega durante seu estágio no Instituto Goethe em Salvador

A experiência, mais uma vez, foi excelente. Foi muito legal ter tido a oportunidade de estudar na maior universidade do Brasil. Achei a qualidade do ensino muito boa, apesar de não ter gostado de passar por duas greves bem longas. Para mim isso era uma novidade, na Alemanha essas coisas não acontecem. De qualquer forma, adorei as pessoas e as festas. Fiquei muito impressionada com a quantidade de gente que se dedica a estudar alemão na USP. Durante esse intercâmbio, fiz uma viagem longa com amigas pela América do Sul. Visitamos o Uruguai, a Argentina, o Chile, a Bolívia e o Peru, sensacional”, ela conta.

Durante seu intercâmbio na USP, Bega recebeu uma bolsa de estudos do DAAD, órgão de representação educacional da Alemanha, que tem escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Adorei São Paulo, a cidade é intensa culturalmente. Eu nasci em Oldenburg, uma cidade pequena com 160 mil habitantes, então achei a experiência de viver em uma metrópole muito interessante. É claro que no inicio fiquei chocada com o trânsito e com a confusão. Em São Paulo, me tornei uma pessoa mais paciente, porque tudo demora muito, seja por causa do trânsito ou pelas distâncias entre os lugares. Tudo é mais devagar, bem diferente da Alemanha. Aprendi a me acomodar a esse tempo e hoje sou uma pessoa melhor”.

Em seu mestrado, Bega decidiu estudar a América Latina porque se interessa pela cultura e história do continente. “O Instituto de Estudos Latino Americanos da FU Berlin é bem renomado e vou fazer minha tese sobre o Rio de Janeiro. Quero estudar as UPPs, seus impactos, autoimagem, representação na mídia e realidade. O curso é bacana porque é interdisciplinar e inclui história, estudos do gênero, ciência politica e economia”.

Bega durante seu estágio no escritório da FU Berlin, no ano passado
Bega durante seu estágio no escritório da FU Berlin, no ano passado

No ano passado, Bega passou três meses no Brasil como estagiária do escritório da FU Berlin em São Paulo. “Eu estava com saudades do Brasil. Na verdade, sempre fico com saudades daí. Sempre que posso, mesmo na Alemanha, estou em contato com a cultura brasileira. Não perco uma festa de forró em Berlim, ou palestras sobre o Brasil que acontecem frequentemente na minha universidade”.

Bega reforça que um intercâmbio é uma ótima oportunidade para você não só aprender sobre uma outra cultura, mas também sobre si mesmo e começar a valorizar mais a sua vida. “No Brasil entrei em contato com coisas muito diferentes, vi muita pobreza, visitei povos indígenas. Até então eu só sabia que isso existia em livros. Perceber que as pessoas têm outras condições de vida foi impactante. Comecei a valorizar algumas coisas que nunca tinha percebido, como a segurança e a qualidade de vida que tenho na Alemanha, por exemplo. Mas acho que a experiência internacional só traz vantagens. Você aprende uma nova língua e melhora os seus conhecimentos. Fica mais aberto a outros pontos de vista, outras visões de mundo. Também pode se desfazer de preconceitos sobre o seu país de origem e sobre o país onde está viajando. Tenho a sensação que pessoas que viajam bastante ou fazem intercâmbio tem uma visão mais aberta do mundo. Eu não conseguiria viver minha vida inteira na cidade onde nasci. Então, se você tiver a oportunidade de fazer isso, não perca essa chance”.

Há muitos anos, a Alemanha e o Brasil têm uma relação muito estreita, há muitas cooperações em nível acadêmico e científico. A FU Berlin tem convênio com a USP, a UNICAMP e a PUC Rio. Há brasileiros estudando na FU Berlin, que oferece programas nas mais diversas áreas do conhecimento. Da mesma forma, estudantes alemães aproveitam seus intercâmbios em universidades brasileiras, compartilhando conhecimento, aprendendo mais sobre o Brasil e apaixonando-se por nosso país.

Como Bega, que não só fala português perfeitamente, mas também carrega um pedaço do Brasil em seu coração.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais. 
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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Sobre a Freie Universität Berlin 
A FU Berlin, é uma das 11 universidades alemãs premiadas pela Iniciativa de Excelência por implantar a estratégia de “International Network University”. Conhecida como uma universidade plena e de tradição, a FU Berlin oferece mais de 100 cursos diferentes em todas as áreas e serviços de apoio específicos para doutorandos e pós-docs internacionais por meio de um Centro de Jovens Pesquisadores.

Áreas de especialidade: Ciências Sociais e Humanas, Ciências Biológicas, Ciências Exatas, programas estruturados de doutorado, cursos de mestrado em inglês.

> contato: saopaulo@fu-berlin.de 

Sobre o DAAD:
O Serviço Alemão de Intercâmbio (DAAD) é a maior organização promotora de intercâmbio acadêmico e científico do mundo. Desde a sua fundação no ano de 1925, o DAAD tem apoiado cerca de 1,9 milhões de acadêmicos, tanto na Alemanha como no exterior. O DAAD impulsiona a internacionalização das instituições de ensino superior da Alemanha, promove estudos alemães e da língua alemã no exterior, ajuda os países em desenvolvimento a estabelecer universidades eficazes e aconselha os tomadores de decisão em matéria de política de educação, de cooperação científica e de desenvolvimento.

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